Notícias | 08.03.2011 | Mulheres dominam o talento para criar novas joias
Nas últimas décadas, é comum destacar a entrada das mulheres em mercados de trabalho dominados pelos homens. Isso acontece nas ciências, nos postos de comando e até em atividades que exigem força física. No entanto, mulheres também constroem novos caminhos profissionais, abrem portas e se consolidam como profissionais competentes em cenários cada vez mais fechados e competitivos.
Um grupo de designers de joias vinculadas ao Pólo Joalheiro do Pará é um exemplo claro dessa nova realidade. Selecionadas nos principais concursos de joias do país – locais, nacionais e internacionais -, elas se destacam em um mercado que, há 10 anos, sequer existia no Estado. Lídia Abrahim, Selma Montenegro, Clara Amorim, Maria das Graças Cardoso, Celeste Heitmann e Eliete (Eli) Cascaes não trabalham apenas para reescrever páginas. Elas protagonizam a história do design de joias no Pará.
PIONEIRISMO
Pioneiras no Estado em um nicho profissional cujo mercado está em franca expansão, as designers começaram essa história primeiro entrando no “clube” da ourivesaria, setor historicamente dominado pelos homens. Uma conquista que elas atribuem ao Programa de Desenvolvimento de Gemas e Metais Preciosos do Pará, mantido pelo governo do Estado desde 1998.
Maria das Graças Cardoso, vencedora em 2008 do I Prêmio em Design de Joias do Pará, promovido pelo Sebrae-PA com apoio do Igama, começou nas bancas de ourives, ao lado do irmão, Francisco de Assis. Da arte de fazer joia, migrou para o campo da criação. Como ela, Celeste Heitmann também fez da experiência como artesã e artista plástica a base para ingressar, com sucesso, na seara do design de joias. Também premiada no I Prêmio em Design do Pará, a “paraense” nascida em Lisboa (Portugal) retrata em suas peças uma forte religiosidade e a valorização das gemas minerais, traço marcante também nas criações de Eli Cascaes.
Atravessando as fronteiras do Pará, Selma Montenegro, Clara Amorim e Lídia Abrahim integram, junto com os principais profissionais do ramo no país, o seleto grupo de designers premiados nos principais concursos de joias do Brasil: o AngloGold Ashanti AuDitions, promovido pela mineradora AngloGold Ashanti, a maior do planeta, e o Prêmio IBGM de Design de Joias, uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).
Pioneira da Região Norte, Selma Montenegro – nascida em Afuá, no Marajó e formada em Educação Artística pela UFPA – foi a primeira a colocar uma joia criada e confecciona na Amazônia entre os trabalhos selecionados no Prêmio IBGM, em 2006. Em 2008, na categoria “Arquitetura Brasileira”, seu projeto ficou entre os 10 melhores. Selma, que também foi premiada no concurso estadual promovido pelo Seabre na Categoria Profissional, junto com Eli Cascaes, vê as premiações como a “valorização do talento de quem trabalha nessa área”.
PONTO DE PARTIDA
O trabalho como artesã também foi o ponto de partida para a carreira de Lídia Abrahim. Hoje, aos 27 anos, ela ostenta no currículo três participações em concursos muito disputados no segmento joalheiro. Ano passado, foi selecionada na Categoria Designer (que reúne apenas profissionais) no AngloGold Ashanti AuDitions, e este ano já está entre os selecionados dos concursos ao Idea Brasil, edição nacional do maior prêmio de design dos Estados Unidos, e ao Prêmio ICA de Design de Joias com Pedras de Cor, evento da programação do 14º Congresso Mundial de Gemas Coradas, o Rio ICA Congress, que acontecerá de 30 de abril a 4 de maio deste ano, no Rio de Janeiro.
Formada em Design de Produtos pela Uepa, mesma graduação de Clara Amorim, Lídia atribui o crescimento da qualidade de seu trabalho como designer ao incentivo recebido do Pólo Joalheiro do Pará. Sobre os destaques nos concursos, Lídia agradece “ao meu Estado, porque sou fruto dessa terrinha, da nossa escola paraense de joalheria, formada por designers, lapidários, artesãos, pequenos empresários, vendedores e tantos outros que contribuem para o crescimento deste setor no Pará”. (Agência Pará)