Destaque | UM REPÚDIO AO BRASIL "OLÍMPICO"
Trata-se de um recém-formado movimento genuíno de cidadãos marajoaras extremamente inconformados com a presente situação. Contamos com as lideranças de personalidades dignas de reconhecimento como Dom José Luiz Azcona Hermoso (bispo de Marajó), Irmã RITA (Pastoral da Criança em Breves), Estudantes, o blogueiro Flavio do Blog Marajó Notícias, Blog do Dário Pedrosa, entre tantos outros.
Todos unidos em volta do objetivo mudar a desfavorável posição da região na lista das prioridades nacionais, se é que dela fazemos parte. Tal situação prejudica a sobrevivência dos amazônidas e, especificamente, dos homens marajoaras. Em razão disso, um grande protesto eclodiu no dia 30/10/2009 (leia notícia aqui) com mais de 6 mil participantes. Os manifestantes percorreram quase toda a cidade de Beves até chegar onde nasceu a maior cidade de Marajó, às margens do rio Parauaú, tomando simbolicamente a chamada Praça do Operário. Na ocasião, cada cidadão portava um aderêço de cor preta (em demonstração de luto pela lembrança das vítimas da situação calamitosa e que monstruosamente perdura).
A Voz do Marajó vem manifestar seu repúdio pela absoluta e desumana situação de abandono imposta aos marajoaras por ninguém menos que o Estado brasileiro. As estatísticas sociais indicam a crescente decadência no campo do emprego e renda, da segurança, da mortalidade de homens e mulheres por inanição, alasramento de doenças endêmicas como a malária, entre tantos outros problemas gravíssimos. Todos mantidos sob as cortinas do silêncio e da conveniência, ao tempo em que se assiste pela televisão um outro Brasil: um gigante realizando proezas muito mais complexas como a conquista do direito de sediar grandes eventos internacionais – Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas – através do dispêndio de quase 30 bilhões de reais dos cofres da nação. Valor que também julgamos nos pertencer, visto que fazemos parte deste país, salvo engano.
Não nos perguntaram se poderíamos optar entre ver Copa e as Olimpíadas no Brasil ou se gostaríamos de ver resolvida a ecatombe econômica e social na Ilha de Marajó.
O dramático quadro social vigente há séculos na região da Amazônia, especificamente na região mencionada - onde SOBREVIVEM 468.822 habitantes (IBGE Julho/2009), é estarrecedor. Em contraponto, noticiamos a existência de uma verdadeira trincheira que trabalha contra essa realidade nefasta. E o governo federal e estadual não fazem parte disso.
Eis a forma "responsável" como o futuro do ribeirinho da região Amazônica é tratado.
Imagem 1
Ao lado (imagem 1), crianças em canoas tentando abordar balsa com o fim de obter comida e diesel (moeda de troca nos rios) sendo que na maioria desses casos quase sempre se prostituem. Além disso, temos dentro das cidades casos facilmente verificáveis de prostituição infantil em troca até mesmo de CACHORRO-QUENTE.
Leia aqui reportagem no site do ministério público.(matéria retirada pelo governo)
Assim esses rios, que um dia transportaram as nossas riquezas (madeiras, palmito, borracha, etc), hoje transportam a dura realidade da pobreza em todos os seus aspéctos resultante do descaso de uma nação inteira.
À esquerda, (imagens 2 e 3) pode-se ver a precariedade das casas de madeira com esgoto abaixo e perigosamente exposto. Importa ainda observar que as crianças normalmente tomam banho nesses córregos. Essas cabanas abrigam, em sua maior parte, os trabalhadores - e suas famílias - então desligados de antigos empregos nas indústrias fechadas da região.
Décadas atrás essas mesmas famílias haviam saído de suas glebas à beira dos rios para tentar a vida na cidade em caminho sem retorno pra recompor suas vidas por dois motivos:
1- Venderam suas terras por valores pífios (2 a 3 mil reais) pra adquirir lugar na periferia da cidade e,
2 – Hoje em dia, mesmo que pudessem voltar a essas terras, não saberiam mais trabalhar nela visto que se especializaram no trabalho industrial que, por sua vez, já não existe mais.
Sabemos que o governo federal distribuiu milhares de títulos fundiários aos ribeirinhos que ainda se mantinham na zona rural com a promessa do próprio presidente da república de que seriam atendiddas pelo programa de assentamentos do INCRA. Mas como é que fica o caso dessas outras milhares de famílias que se desligaram do campo e hoje vivem nas cidades e sem trabalho? Não existem mais aos olhos do governo?
Sem falar que os ribeirinhos que receberam esses títulos ainda nem sequer sabem o que vão fazer com eles pra conseguir seu sustento, visto que ainda continuam a pedir comida e a prostituir seus filhos para as naus que navegam pelas estradas marajoaras, os rios.
Recentemente, no ano de 2009, o INCRA desembarcou em Marajó para tentar cumprir a promessa do presidente Lula. Eis o que fizeram: através de empresas contratadas ergueram centenas de casebres de madeira e deixaram no porto de inúmeros ribeirinhos uma canoa com motor de popa (rabeta). Esses mesmos barcos não saem do lugar, visto que o "caboco" antes de se preocupar com a compra do diesel para alimentar os motores, precupa-se antes em obter o combustível para manter suas vidas: a comida.
Imagem 2
Imagem 3
À direita, podemos ver a mudança drástica do cenário geográfico econômico resultando em consequências socias trágicas.
- Imagem 4: mostra um momento do fim da década de 90 quando a indústria da madeira ainda aquecia a economia da região e, sem julgar o mérito da questão da preservação ambiental, vinha mantendo o sustento digno daquelas pessoas através do binômio trabalho x salário .
- Imagem 5: contrastando a anterior, esta nos mostra o que foi um dia um terreno que servia de estoque de matéria-prima já esvaziado e invadido pelo matagal que pouco a pouco faz desaparecer as ruínas do que já foi um parque industrial.
- Imagem 6: mostra uma das grandes indústrias que acabou de encerrar suas atividades. Percebe-se que já não temos mais o vapor das caldeiras se sobressaindo na paisagem. As máquinas já estão à venda há alguns meses, porém, difícil achar alguém com coragem pra se arriscar em um negócio que foi praticamente criminalizado pelo próprio estado brasileiro quando decidiu por não liberar os projetos de manejo florestal sem, contudo, criar alternativas de obtenção de renda para evitar o previsível flagelo econômico e humano que sucedeu a ausência do negócio da madeira. Diante de tamanho descalabro seria exagero pensar que tudo isso estaria favorecendo alguém ou algum grupo, seja hoje ou no futuro.
Mas qual a finalidade disso tudo? A resposta parece ser simples e chocante: Destruir a concorrência representada pelas atividades privadas do lugar torna-se vital para que se abra o caminho para as políticas de assistencialismo do governo. Afinal, de que valeria um sistema assistencialista em um lugar que ninguém precisasse dele? Elementar ao extremo.
Por essa lógica fascista, quanto mais miserável e humilhado o povo, mais valor este dará às migalhas dadas pelo estado em troca de popularidade e de votos. Troca-se o binômio TRABALHOxSALÁRIO pelo ESMOLAxVOTOS. Seguindo esta mesma linha, a questão ambiental acaba se tornando um bom disfarce para as reais intenções: a obtenção de valorosos ganhos políticos internacionais. Assim, e sem nenhum exagero, para cada ponto de prestígio internacional do Sr. Lula e sua sucessora, uma criança ribeirinha poderá estar se prostituindo ou até mesmo morrendo por causas resultantes do paradigma mencionado.
Claramente vemos que tal cenário vem sendo mantido assim de forma proposital visto que já se arrasta há anos e nada ou pouca coisa se faz, considerando que temos nas mãos o poder de ação de uma propalada 8ª economia mundial. A própria mídia esquiva-se de tratar o assunto em seu verdadeiro cerne, divulgando apenas os efeitos sem ater-se às causas. Tentam apenas proteger ideologias arcaicas de esquerda, poupando um governo que apenas se preocupa em se promover dentro e fora do país em detrimento do sofrimento de tantos milhares de brasileiros renegados.
Imagem 4
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Imagem 6
Imagem 7
Imagem 8
Imagens 7 e 8 – Essas imagens foram extraídas de duas praças adjacentes e interligadas pelo caminho mostrado na imagem 7, bem no centro da maior e mais populosa cidade de Marajó: Breves. As cenas, à princípio, mostram-nos algo bem positivo: uma aglomeração de pessoas no que nos parece se tratar de uma procissão ou algum evento festivo-cultural de grande importância local. Mas devo dizer: não é nada disso.
Meu caro leitor e compatriota, lamento ter que chocá-lo ao lhe dizer que, na realidade, essas milhares de famílias, brasileiros como nós, estão lutando por uma coisa: sobrevivência.
Cada rosto, cada vida mostrada nestas imagens, um dia tiveram a dignidade de poder comprar seu alimento com seus próprios recursos, frutos de seu suado trabalho. Hoje, todavia, apenas figuram o papel de vítimas de um estrategema maligno, se vendo obrigadas a mendigar ao governo por cestas básicas, como gado atrás de ração.
O assistencialismo não resolve, servindo como medida paliativa em curto prazo e, em longo prazo, condena o povo à miséria visto que vicia as pessoas em ganhar sem trabalhar. Acaba sendo ineficiente no princípio, visto que muitos continuam a chegar nos hospitais para engrossar as filas dos subnutridos diante dos registros de óbto por inanição e sem contar os casos que são registrados, e por fim, acaba sendo maléfica na mudança da mentalidade produtiva e empreendedora para uma mentalidade dependente da "generosidade" estatal.
A verdade é que vemos pessoas com pouca perspectiva de melhoria de vida, visto que o patrimônio econômico regional aqui jaz.
Dizem que a esperança é a última que morre. Pois eu digo que o governo está cuidando de antecipar as coisas para ela nesta região. Nos tornaram, ao final das contas, uma preza perfeita para os "neo-coronéis" que se mostram dispostos a qualquer coisa apenas para se manterem no poder.
Estamos recebendo tratamento que lembra em certo aspecto aquele dispensado aos ucranianos nos anos 1932 e 1933 na antiga URSS. E, da mesma forma, tudo escondido aos olhos do mundo. Divulgam apenas a fantástica redução do desmatamento, sem dizer a que preço isso vem sendo conquistado.
Ao lado - imagem 9 - temos uma imagem emblemática capaz de nos sacudir o espírito. Vemos que, apesar do flagelo deliberadamente aplicado ao povo marajoara, as pessoas recorrem ao último e mais forte fio de esperança que lhes resta: a intervenção Divina. Estão abençoando a última grande empresa da região na tentativa de proteger os empregos de seus familiares que lá trabalham.
Ao fundo da mesma imagem - do outro lado do rio - temos um dos últimos navios ancorado sendo abastecido com as derradeiras cargas no porto de uma das industrias já praticamente fechadas – ROBCO LTDA - que vinha trabalhando com extração de madeira com uso de manejo há anos e devido às dificuldades burocráticas nas liberações dos projetos, acaba de anunciar a impossibilidade de continuar operando. Estará apenas cumprindo seus últimos contratos de exportação para que, enfim, feche suas portas.
Imagem 9
Importa mencionar que o índice de criminalidade explodiu, provocado em grande parte pela rota do tráfico de drogas e a falta de oportunidades para os jovens que crescem sem perspectivas de futuro.
Como se pode ver, estamos diante de um processo de "ucranização" da região de floresta do Marajó pela forma arbitrária, truculenta, e portanto INCONSEQUENTE como o governo vem tentando lidar com a questão ambiental e social na Amazônia como um todo. Estão tentando nos transformar em vitrine para o mundo sobre a propaganda marxista aplicada ao ambientalismo. Isso só nos trás problemas, visto que a radicalização pelo engessamento da dinâmica econômica vem sendo a sua premissa, o seu princípio. Neste caso, as árvores ficam de pé, mas os homens... não.
Com 25 milhões de habitantes, a Amazônia ainda tem alguns dos piores indicadores de desenvolvimento do país. Em 1990, 48% da população da região viviam em situação de pobreza. Quase 20 anos depois, em 2009, o percentual ainda era de 42%, segundo o pesquisador sênior do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) Adalberto Veríssimo.
É inaceitável e digno de REPÚDIO a existência de miséria no meio de uma região internacionalmente reconhecida como de grande potencial em geração riquezas. O que queremos dizer é que é possível sim conciliar preservação ambiental com prosperidade econômica na Amazônia, no Marajó.
E somos levados a crer - pela própria propaganda do governo - que isso é perfeitamente possível. Afinal, para um país que se mostra capaz de realizar proezas como a conquista do direito de sediar e CUSTEAR eventos globais como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e, finalmente, para um país que se mostra capaz de emprestar outros bilhões de dólares ao FMI para recuperação de economias européias certamente também deve ser capaz de mudar a dura realidade imposta aos seus filhos deste pedaço de Brasil. TRATA-SE, PORTANTO, DE UMA QUESTÃO MORAL!
A existência de pobreza na região amazônica, e em especial no Marajó, é a maior prova da incompetência de uma nação em explorar seu potencial natural e humano. Décadas foram perdidas pela falta de visão estratégica e respectivas aplicações de recursos em políticas públicas que permitissem o crescimento econômico desvinculado da exploração destrutiva dos recursos naturais e que, quando finalmente resolveu agir, utiliza métodos ainda mais desastrosas do que não tivesse feito nada. Tais ações deliberadamente destruiram, quase que de um dia para o outro, a antiga e precária economia sem a prévia criação das devidas e vitais alternativas.
Ninguém aqui pediu o peixe. Queremos apenas a linha e o anzol: que se façam os ajustes legais, que se criem as condições para que sejam atraídas para a região os empreendimentos de boa capilaridade quanto à criação de empregos tendo como base a chamada economia de floresta. Setores como o de cosméticos e de turismo são belos exemplos. Além da realização do ordenamento fundiário para os pequenos produtores. Quanto a este último, pedimos a realização de um direito constitucional no que tange aos investimentos no ensino de base e tecnologias que nos permitam prosperar COM as florestas de pé.
O modelo de desenvolvimento para a Amazônia que considerava a floresta como um obstáculo para o crescimento econômico da região está ultrapassado, mas a consolidação de alternativas sustentáveis precisa de investimentos permanentes.
O Brasil precisa aprender que só poderá realmente preservar suas florestas se considerar o homem das ribeiras como o principal agente. Este último estaria inserido em um sistema de mercado lucrativo e equilibrado que valorize a floresta e os serviços ambientais da biodiversidade, regulado por uma legislação eficiente com foco na proteção à propriedade. Transformar a floresta, em sua integridade, efetivamente em um bem de valor privado nas mãos dos ribeirinhos. O resto é eco-hipocrisia.
Ambos, homem e natureza, estariam assim em condição de interdependencia. O homem protegeria a floresta como alguém que estivesse protegendo nada mais do que o seu patrimônio, sua fonte de sobrevivência e, porque não, de riqueza. Aos contribuintes, a economia de milhões com a drástica redução, na ordem de milhares, de fiscais que sempre mostram-se ser insuficientes. Todos ganhariam. Para tanto, se me permitem o neologismo, faz-se necessário o estabelecimento de uma nova ligação simbiótica eco-econômica.
ABAIXO, ALGUNS LINKS QUE VÊM CORROBORAR O PRESENTE RETRATO DA SITUAÇÃO DA REGIÃO DE MARAJÓ
► Prostituição Infantil em Soure (Fonte: Cabeça de Cuia)
►Aqui, até o irmão da governadora Ana Júlia presta sua "contribuição" (Jornal Amazônia)
"João Carlos Carepa, irmão da governadora Ana Júlia Carepa, também foi convocado. Ele é acusado de abusar de uma menina que fazia parte da família, mas manteve o silêncio durante o depoimento."
► Dom José Luiz Azcona, bispo de Marajó denuncia Prostituição Infantil no Marajó:
► IDHM de 1991 a 2000 onde pode localizar os municípios marajoaras entre as últimas posições.
Abaetetuba(PA), 20 de Novembro de 2010
Postado por:
Marcos Paulo G Miranda
Editor da Voz do Marajó
Foto: UFPA - Breves
Foto: SEMAD-Pref Munc de Breves
Foto: SEMAD-Pref Munc de Breves
Foto: Exército Brasileiro
Foto: Exército Brasileiro
Foto: Exército Brasileiro
Foto: Orlando Miranda
Foto: Orlando Miranda
Foto: Tarso Sarraf
Foto: Orlando Miranda