Destaque | Fracassa o Plano do governo para o desenvolvimento integral e sustentável do Marajó
Após três anos de seu lançamento no ano de 2007 com a presença do Presidente Luis Inacio da Silva vem a triste constatação: o Plano de Desenvolvimento Integral e Sustentável do Marajó, tão alardeado pela mídia a mando do governo, que por sua vez serviu de depósito das esperanças de milhares de familias em situação de pobreza extrema, desgraçadamente fracassou. Constatou-se algo ainda pior: tudo não passou de reles peça de marketing político-partidário.
Assim, o Marajó volta a estaca zero na busca pela atenção do país para o fato de que aqui ainda se vive em uma terra que parou no tempo. Para ser mais preciso, no tempo da colonização. Desde então nada mais foi feito em prol do progresso material e humano na região. Aliás, fizeram sim: de forma autoritária e inconsequente mandaram fechar as empresas de extrativismo que, bem ou mal, geravam emprego e renda para a região. Não criaram alternativas econômicas. O caos se instalou: Prosseguimos com os piores índices de IDH e os piores índices de desempenho escolar de nossas crianças.
Isso tudo talvez se explique pelo fato de que o Marajó, contando ao todo com 16 municípios, tem cadastrados 278.915 eleitores aptos a votar, número que corresponde a apenas 5,85% do universo eleitoral paraense, que hoje é de 4.768.457 de eleitores inscritos. Tal cenário certamente não atrai a atenção do atual governo, cuja prioridade é evidentemente a de manter-se no poder ao invés de realmente cuidar dos brasileiros.
Durante sua vinda à Breves, o mandatário da nação reuniu centenas de pessoas esperançosas por melhorias ante ao holocausto econômico e social que se instalara na região. Holocausto esse causado justamente por esse governo, o qual imputou o fechamento de TODAS as indústrias de beneficiamento de madeira(inclusive das que trabalhavam de forma legal) por meio do trancamento dos projetos de manejo sem, no entanto, ter tido a preocupação e a responsabilidade em oferecer alternativas econômicas aos pais de família da região. Saldo: 11 mil desempregados e muita miséria em pleno coração de uma das regiões mais ricas do mundo em potencial: a Amazônoa. Sem dúvida, uma prova cabal da incopetência da gestão do desenvolvimento sustentável do governo Lula.
A vinda do presidente ao Marajó foi uma verdadeira festa. Muitos fogos, muitas câmeras. Prometeu aos marajoaras entre tantas coisas, a implantação de uma escola técnica para os jovens, Distribuiram milhares de títulos de terra, foram cadastrados inúmeros beneficiários do programa de assentamentos do INCRA, entre outras ações sociais pirotécnicas de impacto nulo. Nulo porque hoje esses mesmos ribeirinhos, por exemplo, ainda não sabem o que fazer com os títulos de propriedade de suas terras distribuídos pelo governo sob fogos de artifício. Ainda continuam utilizando suas canoas com propulsão à remo para se locomover pelos rios da região em função de que as "rabetas"* doadas pelo governo são movidas à diesel e não dispõem de recursos para adquirir o combustível. Resultado: os transportes foram puxados do rio para a terra. Nada mudou. Assim sendo, a Voz do Marajó faz um pedido ao Sr. Presidente: por favor não pise mais por aqui com suas falsas promessas.
*Rabeta: canoa longa com pequeno motor de popa à combustão manobrável .
Texto: Marcos Paulo Miranda
Manifestantes do Movimento Luto Marajoara realizado em 30.10.2009 cobrando governos pela execução do PDISM. E até hoje... nada.