Artigos | Malária Assola Anajás: Até quando?
Considerada na comunidade científica internacional como um grave problema de saúde pública, a malária afeta principalmente os países em desenvolvimento de clima tropical e subtropical, onde as condições ambientais favorecem a manutenção e o desenvolvimento dos vetores da doença.
E uma das regiões mais atingidas no país, segundo estudo baseado na análise de uma série histórica de dez anos (1989 - 1998) é o arquipélago do Marajó, sobretudo o município de Anajás.
O elevado número de casos ajudou a colocar o Pará no primeiro lugar em contribuição de casos da doença entre os Estados da Amazônia Legal, permanecendo nesta posição até a presente data.
Sabe-se que o nosso Estado possui 143 municípios divididos em termos regional e político, em 06 mesorregiões e 22 microrregiões.
Contudo, para efeito das atividades de combate e controle da malária, está dividido em nove Distritos Sanitários, sediados nos seguintes municípios: Altamira, Ananindeua, Breves, Cametá, Capanema, Conceição do Araguaia, Itaituba, Marabá e Santarém.
Como perspectiva de controle da malária, faz-se necessário estabelecer uma ação integrada com efetiva e responsável participação do governo e da sociedade, o que claramente não vem ocorrendo de forma satisfatória. Nos últimos anos, as medidas de controle atualmente disponíveis não foram capazes de interromper a transmissão da malária, evidenciando-se, pelo contrário, um aumento explosivo de casos em nossa região.
Para quem mora na região do Marajó certamente percebe a realidade de que as ações efetivas e necessárias para conter o avanço da doença, definitivamente não vêm sendo colocadas em prática.
O que tem ocorrido ultimamente são apenas discussões no campo teórico, como a que ocorreu no mês de outubro de 2009, mais precisamente uma audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) que debateu o surto de malária e deficiências na assistência à saúde da população daquela municipalidade, bem como do Arquipélago do Marajó
A reunião foi solicitada pelo senador José Nery (PSOL-PA), que está preocupado com os dados crescentes de doentes na região.
Só em Anajás foram registrados mais de 13 mil pessoas acometidas por malária, o que corresponde à aproximadamente metade da população do município.
Várias autoridades trataram do assunto, entre as quais, o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Francisco Danilo Bastos Forte. Mas lamentavelmente o governo estadual, não se fez presente.
Aliás, o governo estadual durante décadas, parece acreditar que governar é apenas fingir que faz parte de uma indústria cinematográfica, limitando-se em veicular uma interminável e milionária sessão de informes publicitários veiculados no rádio e na TV, numa orgia de propagandas.
No entanto, nenhuma palavra sobre o grave problema que assola nós, os marajoaras, como se não fizéssemos parte dessa federação.
A sensação aqui é de total abandono.
Postado em 05/11/2009 Por Orlando Miranda