Artigo | Líbero Luxardo: cineasta da Amazônia

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Memórias da Belém antiga em filmes de Luxardo

Após a morte de Barata em 1959, Líbero Luxardo desarmou o palanque e retornou ao cinema em 1962. Estava decidido a colocar em prática seu primeiro longa paraense, “Um dia Qualquer”. O filme era uma homenagem à cidade que o acolheu. Num estilo nouvelle vague, a trama mostrava a Belém da década de 60 a partir da estória de Carlos (Hélio Castro), que perdera a esposa Maria de Belém (Lenira Guimarães), vítimas de complicações durante o parto. 

O lançamento do filme foi aos moldes hollywoodianos em sessão no Cine Nazaré. No entanto, bastou a película entrar em cena para surgirem as primeiras críticas que, por sinal, sempre permearam o trabalho do cineasta. Uma das mais ácidas partiu do jornalista Acyr Castro. É possível ler a crítica feita por ele no livro “A Crítica de Cinema em Belém” , organizado por Pedro Veriano, em 1983. Castro foi o sucessor de Líbero, em decorrência de sua morte, assumindo sua cadeira na Academia Paraense de Letras e, apesar de ter sido seu maior crítico, não se furtou de homenageá-lo quando foi secretário de Cultura do Estado, batizando a sala de exibições com o nome do cineasta. 

Voltando a “Um dia qualquer”, ele foi feito a duras penas, como praticamente toda a obra de Luxardo no Pará, com orçamento curto, falhas na montagem e na dublagem, sem contar as trocas seguidas de fotógrafos. 

“Marajó, barreira do mar”, lançado no Cine Olimpia, também foi um fiasco de público e crítica. Depois vieram “Um diamante e cinco balas”, “O Bandido da Luz Vermelha” (1968)*; “Brutos Inocentes” (1973), em cores; e outros. “Por mais que se critique a filmografia de Libero, hoje ela é um documento histórico reunindo imagens de Belém do inicio dos anos 60”, destaca Veriano.

Líbero morreu em 2 de novembro de 1980 vítima de câncer de próstata.

 

 

Filmografia


► Aurora do Amor – 1930

► Novidades regionais – 1932

► Alma do Brasil – 1932

► Anguera – 1934 (inacabado)

► As maravilhas do Mato Grosso – 1934

► Barbosada – 1936

► Caçando feras – 1936

► A luta contra a morte - 1937

► Lucíola – 1938

► Aruanã – 1938

► Amanhã nos encontraremos – 1941

► Nos domínios do Pai Tuna – 1941

► No campo das planícies – 1941

► Navegação da Amazônia – 1941

► Na região do Tapajós – 1941

► O Círio – 1941

► Aniversário do presidente Vargas na Amazônia – 1941

► Fragmentos da vida – 1941

► Assistência à infância em Belém – 1946

► Um dia qualquer – 1962

► Marajó, barreira do mar – 1964

► Um diamante e 5 balas – 1968

► Pescadores da Amazônia – 1966 a 1971

► Brutos Inocentes – 1974

► Viagem à Amazônia: rio Purus (sem data)




Por que se orgulhar?

Líbero Luxardo foi o primeiro cineasta a filmar longas com técnicos e atores paraenses, privilegiando temas amazônicos em seus roteiros. Suas trilhas sonoras também exaltavam a música do Pará, destacando artistas como o maestro Waldemar Henrique e o compositor Paulo André Barata. Amante do nosso Estado e da sétima arte, é, até hoje, referência para as novas gerações de cineastas de toda a região.

 

* Atualização (24.09.2011): O filme "O bandido da Luz Vermelha" foi equivocadamente atribuído à Luxardo quando, na realidade, é de Rogerio Sganzerla. O que, certamente, não diminui a importância histórica do cineasta.

Postado na VM por Orlando G Miranda

Reprodução do texto contido em Diário do Pará

Um arqueólogo sai de Belém para visitar e conhecer cemitérios indígenas na Ilha de Marajó, em meados dos anos 60. Hospeda-se numa fazenda sem imaginar que está no cenário de uma trama repleta de aventuras, envolvendo personagens típicos da região. Meio dramáticos, convenhamos, mas pra lá de divertidos. Esse é o resumo da sinopse de “Marajó, barreira do mar” (1964), o segundo dos longas-metragens que compõem a preciosa obra de um paulista apaixonado pelo Pará: Líbero Luxardo (1908-1980) ou o Cineasta da Amazônia, como é mais conhecido. 

O filme do qual falamos deveria ser uma espécie de western marajoara e seu roteiro continha um final apoteótico, com um búfalo “sagrado” invadindo uma pequena vila, derrubando palhoças e fazendo todo mundo fugir apavorado. Esse detalhe interessante só não foi incluído na trama porque Luxardo, convencido de que não teria dinheiro para bancar os prejuízos dos moradores do local, acatou a sugestão de um jovem amigo e, como ele, um também aficionado por cinema, o crítico e escritor Pedro Veriano.

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