Artigos | "Cubanização" de Marajó
A primeira "mordida do lobo" veio com a vinda ao Pará, por volta de 2007, do então ministro do meio ambiente - e apologista da maconha - Carlos Minc. Logo em sua chegada acomodou-se na poltrona do gabinete governamental do Estado e, como que sentindo-se o dono do feudo, despachou as ordens para fechar arbitrariamente todas as indústrias madeireiras da região sob o pretexto fabricado de que estas estariam trabalhando "ilegalmente" em relação à legislação ambiental e, portanto, "contra o meio ambiente". Explico: Havia "esquecido" o ministro que a maior parte dessas empresas eram justamente as mesmas que já aguardavam, haviam anos, pela liberação de seus projetos de manejo florestal. Seria através do Projeto de Manejo aprovado que essas indústrias poderiam extrair matéria prima de forma legal e sustentável. Tal situação de "ilegalidade" havia sido criada, portanto, pelo próprio estado.
As demissões em massa haviam começado tendo as empresas de optar entre fechar as portas ou continuar a trabalhar na "ilegalidade" mesmo. Com o circo montado veio a palhaçada: seguindo as ordens do super-ministro os homens da FORÇA NACIONAL nos fizeram lembrar em muito as antigas polícias políticas como a NKVD. Fecharam tudo à força.
Caro leitor, devo alertá-lo que essa situação não pode ser atribuída à uma simples "trapalhada" por parte do governo. Trata-se, claramente, de manobra muito bem calculada que serviu ao propósito de jogar todos os empresários do setor florestal dentro de um único saco: o da "ilegalidade" e da "vilania ecológica" perante a opinião pública.
Entenda que não estamos aqui defendendo o mau empreendedor que só sabe trabalhar devastando e muito menos estamos diminuindo a importância de se preservar o meio ambiente. Mas, por uma questão de justiça natural, é preciso separar o joio do trigo. A experiência nos ensina que em todo ofício existem os bons assim como os maus profissionais. E no ramo madeireiro não é diferente. Conheci aqueles que sempre buscaram seguir as boas práticas ambientais conforme determina a lei. Mas o governo brasileiro, em razão de seus atuais objetivos, já não permite mais isso. Afinal, para todos os efeitos, tratar-se-á de apenas "um maldito madeireiro". Veja que o próprio governo já os havia tratado como heróis na época da campanha pela "ocupação da Amazônia".
E a estratégia do uso dessa criminalização ambiental como apoio ou escudo político das ações mafiosas do estado continua vigente até hoje, visto que o lugar segue no olho do furacão da pobreza e, pasme, com seus habitantes convencidos de que tal sacrifício é necessário. Com a paciência alimentada por falsas esperanças, aguardam por mudanças que nunca chegam ao tempo em que mais e mais pessoas se inscrevem nos programas assistencialistas e tomam parte no "rebanho". A coisa tomou proporções tamanhas que nada se comenta sobre as centenas de cidadãos brasileiros marajoaras que foram deliberadamente jogados na miséria por conta das ações tomadas pelo governo petista.
A segunda "mordida" foi desferida bem na "joãogoulart":
É amplamente disseminada a informação de que as áreas de proteção ambiental têm a função primordial de preservar a natureza e, nas que são permitidas interferências humanas, é permitida a permanência destas pessoas sob certas condições/regras. Também é sabido que durante o processo de criação de uma área de proteção quase sempre há inúmeras DESAPROPRIAÇÕES nos casos em que tais propriedades estejam dentro do que serão seus limites então previamente demarcados.
Pois bem, o governo descobriu que aí residia a chave para tocar seus planos de continuação das chamadas "REFORMAS DE BASE" de Jango através da rápida criação de centenas dessas reservas pelo país afora. Se ainda restam dúvidas de que existe um padrão no o modus operandi do governo JANGO e o do governo do PT, basta que se verifique a forma como as reservas de Marajó foram criadas. Os decretos assinados pelo presidente Lula baseiam-se precisamente na Lei no 4.132, de 10 de setembro de 1962 sancionada por ninguém menos que o infame presidente comunista (Jango). Vejamos alguns trechos da antiga lei (grifos nossos):
Art. 1º A desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social, na forma do art. 147 da Constituição Federal.
Art. 2º Considera-se de interesse social:
I - o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população a que deve ou possa suprir por seu destino econômico;(...)
(...)§ 1º O disposto no item I deste artigo só se aplicará nos casos de bens retirados de produção ou tratando-se de imóveis rurais cuja produção, por ineficientemente explorados, seja inferior à média da região, atendidas as condições naturais do seu solo e sua situação em relação aos mercados.(...)
(...) Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado.(...)
Expropriação é a palavra. Um eufemismo para a palavra roubo, sem dúvida, visto que descreve a situação na qual o estado DECRETANDO o fim da posse de sua propriedade paga-lhe o quando quiser pelo quanto quiser, mesmo que NÃO esteja à venda. Tudo emo nome do “interesse público”. Arvora-se para o delito no dúbio artigo constitucional 147 - um prato cheio pra governos comunistas. Foi assim com Jango e repete-se hoje pelas mãos dos petistas que, malandramente, dispensaram o uso da roupagem do “interesse comum” para o "de interesse ambiental". Mas a essência e o objetivo ainda são os mesmos: mudar a sociedade destruindo seus princípios mais elementares (como a idéia do trabalho como meio de vida, bem como da propriedade - vide caso de Raposa Serra do Sol), ao tempo que aumenta a influência estatal sobre os indivíduos. Como? Primeiro, pela implantação do caos social e econômico seguido pela política assistencialista mais propagandeada “da história desse país”.
O caos atualmente existente na região marajoara, além do tráfico de drogas e seus reflexos, vêm acelerando esse processo de dissolvição social. E até agora o que se fez? Pedidos de providências não faltaram. O Bispo da Prelazia de Marajó, Dom Luiz Azcona fez solicitação formal de intervenção emergencial por parte do governo do estado. Clamores populares foram realizados com milhares de cidadãos nas ruas e, bingo! NENHUM “PIU” da então governadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) até o seu último dia de mandato e muito menos do governo federal. Diante de tamanho e escabroso silêncio, temos uma confissão tácita de suas reais intenções.
Coincidências? Digo que apenas existem na cabeça daqueles que fazem parte do jogo ou dos idiotas úteis. Só isso para se explicar o fato de o Plano de Desenvolvimento Regional Integral e Sustentável de Marajó - PDRISM nunca ter saído do papel desde que foi lançado por Lula em 2007. Provou-se ser apenas uma mera peça de marketing, combustível do atual governo.
Para desviar o foco do processo em curso de socialização, outros "pacotes" sem qualquer efeito prático foram posteriormente lançados: (1) criação de escritório dos Direitos Humanos em Breves (que ironicamente vive fechada). (2) A "doação" de máquinas caríssimas para construção de estradas (sem qualquer planejamento e custos operacionais à cargo das prefeituras) juntamente com a "doação" de pequenos barcos aos ribeirinhos (sem meios para obterem combustível) e a maior das empulhações: (3) o CRAS-Centro Regional de Assistência Social- que tem a curiosa tarefa de atenuar os efeitos sociais da falência econômica ali estartada justamente pelo próprio governo.
Eis a motivação do governo para se manter parado diante do problema: ele vem seguindo religiosamente a estratégia de dominação socialista descrita no livro "ESTRATÉGIA E HEGEMONIA SOCIALISTA" de Ernesto Laclau, livro de cabeceira de petistas e demais sócios do Foro de São Paulo. Um verdadeiro manual de implantação do socialismo. Segundo o referido livro, o primeiro passo para a dominação é a instalação do caos social. Quando lemos a obra, ficamos impressionados. Parece que estamos diante de um relato do que está acontecendo na região das ilhas.
Assim, destroem a frágil economia do lugar com a desculpa de estarem defendendo o meio-ambiente da conveniente e “ameaçadora” figura do "madeireiro maligno". E o que fazer com o buraco econômico que sobrou? Os comunas viram aí uma oportunidade de ganhos de poder. Esse descaso para com a situação das pessoas da região per se nos permite identificar as reais intenções do governo. Com a população já atualmente desprovida de sua auto-estima e dignidade pela presença da miséria e do medo, o terreno já está preparado para a implantação do estilo de vida cubano: "todos pelo Estado e para o Estado". Ou mais simplesmente: estamos em processo de implantação do neo-coronelismo vermelho. E o restante do Brasil? Que se cuide.
por Marcos Paulo G Miranda
Editor VM
Inicialmente muitos imaginavam que a crise sócio-econômica de Marajó era passageira e que, com a visita do então presidente da República além do lançamento do Plano de Desenvolvimento Sustentável de Marajó tal situação seria logo revertida. Ledo engano. Com o passar dos anos, e sem que absolutamente nada realmente tenha mudado, já não resta outra saída até para os mais fanáticos petistas e afins senão admitir que o referido plano não era nada além de uma baita embromação. Vou além e digo que tudo não passou de parte de um estratagema inspirado nas velhas idéias que ressurgem no Brasil, advindas dos grotões da primeira metade do século 20 para disseminar o caos neste pedaço esquecido de Brasil. E pasme: essa loucura já criou raízes e frutos em Marajó. Com isso, e as evidências adiante apontam, intencionam converter a realidade social, econômica e cultural da Ilha brasileira aos moldes da cubana.
Podemos tomar o caso dos marajoaras como exemplo emblemático para o que poderá estar reservado para o restante do Brasil. As notícias sobre a desindustrialização e a falta de políticas para o setor compõem robustas evidências. A intenção do presente artigo é a de identificar e denunciar a vigarice petista ao tentar retomar as ações iniciadas pelo então presidente João Goulart nas chamadas "reformas de base", repaginando-a com uma espécie de "pele verde". Se uma "revolução socialista" em plena mata lhe parece um tanto fantasiosa, então permita-nos fazer entender através do que segue.