Artigos | O potencial ilimitado dos recursos naturais
George Reisman é autor de Capitalismo: Um Tratado de Economia, de 1996, uma obra prima de mais de mil páginas. As maiores influências de Reisman são os economistas clássicos, a escola austríaca de economia e a filosofia Objetivista. Recebeu seu PhD pela Universidade de Nova Iorque, sob a orientação de Ludwig von Mises.
Entre os muitos outros temas abordados no completíssimo livro, Reisman trata do assunto “Recursos naturais e meio ambiente”, e nos oferece observações muito interessantes. A seguir, discorrerei sobre a primeira parte do terceiro capítulo, intitulada “O potencial ilimitado dos recursos naturais”.
George Reisman começa de forma clara e direta: o potencial para o crescimento econômico não é limitado de forma alguma por qualquer carência fundamental de recursos naturais. A razão disso é o fato de que o mundo é feito de recursos naturais, que se estendem do limite superior da atmosfera até o centro da terra, mais de seis mil quilômetros abaixo. Isso é possível porque a massa inteira da terra é feita de elementos químicos que, por sua vez, são recursos naturais.
Por exemplo, o centro da terra é composto, principalmente, por milhões de metros cúbicos de ferro e níquel. Os oceanos e a atmosfera são constituídos por milhões de metros cúbicos de oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e carbono, e quantidades menores, mas ainda enormes, de praticamente todos os outros elementos. Até as areias do Saara são constituídas por vários compostos de silicone, carbono, oxigênio, hidrogênio, alumínio, ferro e outros, dos quais ninguém sabe que usos a ciência pode descobrir algum dia. Não há um único elemento que não existe na terra em uma quantidade milhões de vezes maior que a quantidade que já foi explorada pelo homem.
O que é verdade para a terra também é verdade para qualquer outro corpo planetário no universo. Enquanto que o universo seja consistido de matéria, ele não consiste em nada além de elementos químicos, e, por isso, nada além de recursos naturais.
Também não há qualquer escassez fundamental de energia no mundo. Mais energia é descarregada em um furacão do que a energia produzida pelo homem durante um ano inteiro. A oferta natural de energia no mundo também não é reduzida em virtude da energia que o homem captura da natureza. O calor do sol fornece uma oferta constantemente renovada que é milhões de vezes maior que a energia consumida pelo homem. A quantidade de energia no mundo permanece incalculavelmente superior à quantidade que a humanidade consome, e irá continuar assim até que o sol comece a esfriar.
O problema dos recursos naturais não é de escassez intrínseca. De um ponto de vista estritamente físico-químico recursos naturais são a mesma coisa que a oferta natural de matéria e energia que existe no mundo e no universo. Tecnicamente, essa oferta pode ser descrita como finita, mas para todos os motivos práticos, ela é infinita. Esse fato não constitui o menor obstáculo à atividade econômica – não há nada que nós somos impedidos de fazer porque a terra (sem falar no universo) está em perigo de ter algum de seus elementos químicos, ou energia, exausto.
O problema dos recursos naturais é estritamente um problema de usabilidade, acessibilidade e economia. Isso é, o homem precisa saber que elementos e combinações de elementos são bons para ele, e então, ser capaz de capturá-los e direcioná-los à satisfação de suas necessidades sem ter que gastar uma grande quantidade de trabalho para isso. Claramente, o único limite para a oferta desses recursos naturais economicamente usáveis é a estado científico e tecnológico e a quantidade e qualidade dos bens de capital disponíveis.
Elementos como petróleo, alumínio, rádio e urânio, que estiveram presentes no solo por milhões de anos, só se tornaram recursos usáveis no último século [XIX]. Além da descoberta de novos elementos, a oferta de recursos naturais economicamente usáveis também é aumentada através dos avanços tecnológicos que permitem ao homem aprimorar seu acesso às coisas – por exemplo, minar em maiores profundidades com menos esforço, mover maiores massas de terra com menos esforço, quebrar compostos, ganhar acesso a regiões da terra previamente inacessíveis ou aumentando seu acesso às regiões já acessíveis.
O elemento decisivo para a disponibilidade econômica dos recursos naturais é a inteligência humana motivada, o que significa: uma sociedade capitalista. Enquanto os homens preservarem uma sociedade capitalista, baseada na divisão do trabalho, o corpo de conhecimento científico e tecnológico à disponibilidade da humanidade irá crescer de geração a geração. Não há razão para que, sob a existência contínua de uma sociedade livre e racional, a oferta dos recursos naturais não cresça tão rapidamente quanto no passado, ou ainda mais rapidamente.
Luiz Mário Brotherhood
Economista e dono do Blog Objetivismo Praxeológico