Artigos | GESTÃO PÚBLICA BRASILEIRA FEDERAL, MUNICIPAL E DE SAÚDE. CRÍTICAS E SOLUÇÕES

Existe um jargão político, que por sua profunda natureza reflexiva já se tornou pratrimônio nacional (eu o dispenso), que diz: “O Brasil é o país do futuro.” Na realidade a construção dessa frase ocorreu dentro de um contexto histórico na qual flutuavam princípios ideológicos hegemônicos e contra hegemônicos que nos seus antagonismos construíram o país organizado política e socialmente que hoje conhecemos e onde hoje, nós, brasileiros e estrangeiros, vivemos.

 

Na realidade, entendo eu que essa frase, hoje, em nosso contexto deveria assim estar grafada: “O Brasil é o país mais rico do mundo, seu povo é que é pobre.” Com efeito, não me recordo de ver o Brasil exportar sua maior riqueza que é a sua cultura com tamanha competência como o fazem países como o Brasil, de tenra idade. Já li Paulo Coelho (cultura pop de gênero), mas tenho me contentado com a crítica jornalística e política de Gilberto Dimenstain, Diogo Mainardi e Arnaldo Jabor, menos insólitos e mais corajosos.

Dito isso é que tenho me empenhado em desconfiar (o processo de construção do pensamento humano se baseia no ceticismo) de todos os planos político econômicos de gestão administrativa e econômica, que implicaram e implicam, notadamente na implantação de idéias neo liberalistas, ocorridos no decorrer dos últimos vintes anos no Brasil.

 

Na realidade o que tenho visto, como cuidadoso jurista que sou é que as relações de poder não se diluíram e a burocracia alterna-se na trincheira da vida púlbica com a mal fadada política fisiologista que exclui do processo democrático os verdadeiros anseios do bem comum. Esquecem-se os maus políticos que quem, na realidade, pode e deve mandar é povo, ainda que não tenha condições, como já disse, de exportar sua própria cultura. Mas isso é uma armadilha do próprio sistema capitalista industrial em que vivemos, pois no fim das contas o que o governo não quer é gente inteligente!

 

A fórmula parece bem simples. Não conheço nenhum país no mundo que não tenha prosperado e alcançado excelência em desenvolvimento humano sem investir em educação e saúde. Qualquer governo que se preze, tem obrigação ética e moral de investir em saúde e educação. Certo, certo e as outras áreas, como infra-estrutura, segurança pública, esporte e lazer, etc e tal, como ficam? Todos os investimentos que se fazem nas outras áreas da administração sofrem conseqüência e influencia direta do investimento em saúde e educação.

 

O modelo de gestão administrativa desenvolvido hoje no Brasil é totalmente voltado para o capital e acredito que esse seja o principal entrave para o desenvolvimento do país. Não que isso seja pernicioso, isso é até importante, mas falta algo mais... e penso que esse algo mais, sem dúvida é o investimento no ser humano. Essa é a melhor forma de transformação de uma sociedade. Uma boa gestão, pode e deve começar com investimentos concretos na qualificação dos atores envolvidos no processo de desenvolvimento social.

 

Enquanto  o administrador diz: vamos controlar; o líder diz: vamos mudar. É isso que falta para o Brasil. Mudança!. Não é só na maneira de administrar que falta mudança. Falta mudança na maneira de pensar e na maneira de agir. E isso ocorre em todas as esferas administrativas e, principalmente nos municípios. Aliás fico me perguntando até hoje, diante do modelo político administrativo adotado pelo Brasil (o federalismo), quem administra o país, os Prefeitos, os Governadores ou o Presidente da República?  Desconfio mesmo é que seja o capital estrangeiro.

Nos últimos anos demos passos importantes. Sim, nós demos! Temos uma Constituição verdadeiramente cidadã, leis fortes e equilibradas, Sistema Único de Saúde, Programas de Distribuição Direta de Renda, até aprendemos mais a ler. Por outro lado temos também um Congresso Nacional rendido à escândalos e corrupção política, um Poder Judiciário desorganizado e desaparelhado e um Poder Executivo que aprendeu a vender o Brasil no estrangeiro com uma bandeira que não é a nossa. Temos que aprender a aprender e aprender a pensar e construir novas idéias. Isso é o que nos falta, pois a educação é o que nos move.

 

Gerir um país como o Brasil não é nada fácil, sabemos; mas é mais difícil ainda administrar a convivência com a nossa própria história, pois não podemos continuá-la como fazíamos nos tempo de colônia, atendendo aos anseios dos países mais poderosos economicamente.

 

Se o Brasil é o país do futuro? Pode até ser. Mas quando esse futuro nos chegará? É nosso dever como cidadão fiscalizar tudo e todos, denunciar, buscar a imprensa isenta e fazer valer o que ditam as leis de nosso país. A saúde no Brasil não está falida, está mal administrada. É bem certo que o modelo implantado não é perfeito e aqui uso desse trecho para me corrigir: esse modelo de gestão da saúde serve inclusive de base para o novo modelo de gestão em saúde que está sendo reestruturado nos EUA., foi exportado. Barack Obama é esperto, compra barato o que nos custa caro! E viva o Lula o filho do Brasil! 

Robson Matos

É Advogado e Vereador no Município de Breves/Pa.

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