Artigos | Receitas da floresta do Marajó
A HISTÓRIA
Tudo começou com um projeto com o Departamento de DST-Aids e Hepatite Viral da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde; a partir daí elas conseguiram apoios cada mais amplos no Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e parcerias com a Rede Mulher de Educação da Kepa na Finlândia, Oi Futuro, Save The Children, International Service e Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social. E ganharam vários prêmios: Action Aid, Chico Mendes e Direitos Humanos Internacional. Em 2009, a instituição Save The Children estabeleceu uma parceria com a Bagagem das Mulheres da Floresta para apoiar a capacitação de mulheres extrativistas e Agentes Comunitários de Saúde, em Saúde Primária e Segurança Alimentar para crianças e famílias, incluindo capacitação sobre o direito à saúde com acesso e qualidade plena e efetiva. Com este apoio foram construídas duas Casas Comunitárias como espaços de promoção de saúde de crianças e mulheres, atendendo diretamente 5.200 crianças e 1.500 mulheres. Denominadas de “Espaço Criança da Floresta” foram implementadas na Reserva Extrativista Mapuá, em Breves, e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Itatupá-Baquiá em Gurupá, ambas no Pará.
O LIVRO
O livro, além de contar a história, recolheu receitas das famílias que vivem nas Reservas Extrativistas Arioca Pruanã, Tapajós Arapiuns, Mapuá e RDS Itatupã Baquiá. Todas são originais e interessantes e podem fazer bem a crianças e adultos.
RECEITAS
Para crianças:
Beijú Pé de Moleque - Receita da Vovó Elisa
ingredientes: mandioca, açúcar, sal, cravinho, manteiga, coco e/ou castanha.
Modo de fazer: mandioca mole bem amassada, tempera-se a gosto com açúcar, sal, cravinho, manteiga e coco e/ou castanha, misturando bem até ligar. Faz-se as palmas da folha da bananeira e arruma os beijus não muito grossos. Assa no forno de fazer farinha, torrador de barro, ou no forno de fogão a gás, com fogo moderado.
Para adultos: Paçoca de Saúva Táia
A Saúva táia é uma formiga grande que a cabeça tem sabor apimentado. É considerado um alimento afrodisíaco.
Ingredientes: 250 gr de saúva táia; 1 kg de farinha; 3 dentes de alho, pimenta do reino, sal.
Modo de fazer: frita bem o alho, coloca a saúva e a pimento do reino, sal a gosto, deixa ficar bem torrada. Acrescenta a farinha, mistura bem e soca no pilão. Pronto. Agora é só servir.
Recolher as receitas, incentivar a cozinha da floresta, ensinar as mães, levar para as escolas, tudo isso vem trazendo uma mudança nos hábitos alimentares dentro das Reservas. Crianças e jovens começam a substituir os refrigerantes por sucos locais. E os adultos, a aprender segredos passados de outras gerações. Várias pessoas colaboraram para produzir esse livro. Mas duas foram essenciais: Fátima Cristina da Silva, pedagoga e assessora técnica do CNS, e Célia Regina das Neves, liderança das Reservas Marinhas do Pará. Elas são o dínamo do escritório do CNS no Pará. Parabéns!
Tem muitas outras receitas. Dá para pedir o livro ligando para o escritório do CNS em Belém: (91) 3229-0055.
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Mary Allegretti é Antropóloga, pesquisadora de movimentos sociais e políticas públicas, doutora em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília, consultora independente e professora visitante em diferentes universidades nos EUA.
Giovanni Salera Júnior é Mestre em Ciências do Ambiente e Especialista em Direito Ambiental.
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br
Escrito por Mary Allegretti
Está acontecendo uma incrível coincidência de temas e prioridades em torno da educação de crianças e jovens que vivem na floresta amazônica. Ao mesmo tempo em que elaboramos a proposta de Educação na Floresta, apresentada em meu blog, outros projetos, com objetivos semelhantes, estão sendo desenvolvidos em várias partes da Amazônia. Tenho uma série de exemplos para apresentar e gostaria de abrir esse espaço para divulgar outros que não conheço.
No dia 20 de janeiro, ocorreu em Belém o lançamento do livro “Fortalecendo a Saúde e Segurança Alimentar das Crianças da Floresta”, editado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), com o apoio da organização inglesa “Save The Children”.
Esta é uma, de muitas, iniciativas da Secretaria da Mulher do CNS, criada em 1995 e liderada, por vários anos, pela Dona Raimunda dos Cocos, que ficou famosa pela forma determinada de defender os babaçuais do sul do Maranhão e norte do Tocantins, no Bico do Papagaio, e os direitos das mulheres extrativistas. O principal programa da Secretaria é chamado “A Bagagem das Mulheres da Floresta”, que significa o saber local repleto de ingredientes que constam em diversos materiais que passam a ser ferramentas lúdicas utilizadas nas oficinas sobre gênero e campanhas em defesa dos direitos humanos.